terça-feira, 3 de março de 2009

Política: Soltando os bichos...

Há muito tempo venho matutando para falar deste assunto: Chegou a hora de soltar os bichos da política de Ipirá.

É fato que cresci fazendo parte de um grupo político intitulado ‘jacu’, o qual tinha como maior adversário o grupo intitulado ‘macaco’. Confesso que fiquei incomodado, quando me ‘entendi por gente’, ao ficar rotulado desta forma. Não existe nem nunca existiu incômodo da minha parte por fazer parte deste grupo, que fique bem claro.

É exatamente neste ponto que eu quero chegar. Reduzir grupos políticos a denominação jocosa de um animal é, no mínimo, um desrespeito à inteligência. Não é crime fazer parte de um grupo político por isso ninguém deve ser hostilizado ou menosprezado por isso. Afinal, grupos e partidos políticos são definições bem próximas.

Uma das diferenças básicas entre o partido e o grupo político é que para fazer parte do primeiro deve haver filiação, a aceitação do partido que possui um estatuto interno e o mais importante, permite candidatura a qualquer cargo eletivo, entre outras condicionantes legais. Para ser integrante de um grupo político, principalmente no interior, são muitas as variáveis: simpatizante ou filiado a determinado partido do grupo, relações familiares, de amizade e de afinidade construídas através da história. Além da concordância ou similaridade nas ideologias, e claro, interesses em comum. Não necessariamente interesses escusos...

Falando em história, é através delas que se formam os grupos políticos, e mesmo os partidos. Por este motivo, costuma-se usar como argumento para deslegitimá-los a idéia de que alguns surgiram em períodos não-democráticos. Atualmente, esta característica não faz tanta diferença, senão vejamos.

Fala-se muito que dentro dos grupos políticos existe um chefe político, prefiro chamá-lo de líder político. Costuma-se comparar com a figura do coronel do passado, figura remanescente da República Velha.

Na Bahia, não há melhor exemplo que ACM, líder dos ‘carlismo’ que governou o estado durante muito tempo. Apresentou, por exemplo, como candidatos ao governo nomes de técnicos como Paulo Souto, César Borges, Otto Alencar, etc.

Atualmente, Lula – líder do PT e PCdoB/PSB (grupo político - o lulismo?) – escolheu como sua candidata a presidência uma técnica, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela nunca disputou uma eleição, nem mesmo para vereadora. O presidente já está inclusive fazendo campanha antecipada para ela. Lula escolheu sua candidata e o PT, e partidos satélites, aceitaram. Pesquisas realizadas dão conta de que ela já tem o apoio de mais de 80% dos petistas. Lula sempre foi maior que o PT, fato. ACM apontou como sucessor o ex-governador Paulo Souto. Lula e ACM não se aproximam neste aspecto?

Outro argumento usado para hostilizar um grupo político é o fato de haver sucessão hereditária da liderança para a disputa por cargos eletivos. Como se houvesse imposição do líder, o que de fato também pode ocorrer. Em Ipirá e na Bahia é dispensável nominar os exemplos, vamos a outros. Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, neto do também ex-governador Miguel Arraes (o comunista); Zeca Dirceu (PT), prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR) e filho do ex-presidente do PT, José Dirceu. Antes de ser expulsa do PT, Luciana Genro se elegeu Deputada Estadual e Federal com a ajuda do pai, o atual Ministro Tarso Genro, duas vezes prefeito de Porto Alegre(RS), um dos princiais líderes do PT gaúcho. Sucessão político-familiar nesses casos pode?

Para ir mais longe, um pouco acima da linha do Equador, o único país americano governado por uma dinastia há mais de meio século. Cuba! Há mais de 50 anos a ilha caribenha é governada pela dinastia dos Castro. Primeiro pelo El Comandante Fidel Castro, atualmente pelo seu irmão Raúl Castro. Registre-se que tudo ocorre em uma ditadura: sem liberdade de imprensa, sem partidos políticos, sem oposição, sem liberdade. Não se pode falar em sucessão dinástica sem citar Cuba.

Estranho, mas outro argumento utilizado é a relação de fidelidade política dos integrantes com o grupo político que fazem parte. Estranho, porque em que a fidelidade partidária e/ou política é menosprezada, característica que deveria, ao contrário, ser incentivada. Excluída a fidelidade cega, um mal em si mesmo, auto-explicativo. Mas, em uma época em que certos políticos trocam de partidos e de grupos para se manter no poder, e ainda assim continuam a ser votados tudo é possível. Leia artigo escrito por mim sobre Fidelidade Partidária.

Ou será que algum filiado de um partido (PT/PCdoB/PSDB/DEM/PMDB) iria votar contra o candidato da legenda? Ou mesmo contra o novo entendimento do partido? Recentemente, vários parlamentares foram expulsos do PT – como a ex-senadora Heloísa Helena – por discordar dos novos rumos do partido. Fazer parte de um grupo político é como ser integrante de um partido. Fidelidade ou infidelidade?

Levado pelo vento da ‘mudança’ o PT de Ipirá, outrora grande crítico da existência dos ‘famigerados bichos políticos’, na última eleição fez aliança com um dos grupos políticos da cidade. Inclusive, com o apoio do atual governador, que fez questão de dizer que atravessou meio mundo para participar do comício dos agora correligionários e chamando-os pelo codinome da 'bicharada'. Nunca diga: “Desta água não beberei”.

Pausa para a Reflexão: Por que o PT mudou de atitude e aceitou se unir a ‘bicharada’?
( ) Tudo pelo poder
( ) Se Lula mudou (é aliado de Jáder Barbalho, José Sarney, Collor, Renan Calheiros), por que o PT local não pode?
( ) Era tudo retórica vazia,
os grupos políticos têm o direito de existir mesmo.
( ) Todas as respostas anteriores

É na eleição que os ânimos se acirram e que a identificação 'animal' fica mais visível. Sabiamente, ambos os grupos transformaram o antes depreciativo apelido em marketing eleitoral. Até mais que isto, tornaram o animal o símbolo de identificação do grupo. Assim como ocorre com os partidos: o PT tem a estrela, o PSDB o tucano, o PCdoB a foice e o martelo, o DEM adotou uma árvore, etc. Se partido pode, é proibido/errado para o grupo político?
Passada a eleição, época de euforia, a princípio ninguém deixa de fazer parte do grupo político(A princípio, porque há políticos que estão apenas de um lado: o do poder). Assim como ninguém deixa de faz
er parte da família, do grupo religioso que frequenta e dos outros grupos sociais dos quais faz parte.

Penso, no entanto, que é extremamente preconceituoso afirmar que todas as atitudes de uma pessoa são definidas exclusivamente pelo fato de ser integrante de certo grupo político. É a banalização, primeiro da opção política, depois da própria pessoa como se ela não possuísse opinião, sentimentos e interesses próprios. É o reducionismo chulo: “faz isso porque é ‘bicho’”. É fato que algumas pessoas agem assim, no entanto, qualquer generalização ou radicalização é burra. Costuma-se, infelizmente, projetar no outro o reflexo do espelho de si mesmo...
Não é banalidade fazer parte de um grupo político. Banalidade é, ao contrário, querer reduzir os integrantes de tais grupos aos bichos porventura identificados, uma forma de retórica política vazia e preconceituosa, cujos defensores da idéia geralmente se auto-proclamam revolucionários, libertários e até mesmo, democráticos! Retórica, aliás, que é uma forma de esconder a própria paixão (pela) política, travestida de um falso não-envolvimento, e de ‘imparcialidade’ e ‘racionalidade’.

Política é razão, mas também é paixão. Certamente não foi a razão que fez o presidente participar de todas as eleições presidenciais desde o fim da ditadura militar, assim como o atual governador da Bahia, que no começo da campanha que o elegeu - foi considerado o azarão - tinha menos de 20% dos votos e nem de longe era considerado o favorito.

Acredito que a paixão é parte integrante da política. É a própria dinâmica da política. As eleições se comparam a campeonatos esportivos. As bandeiras (ambos têm), a escalação dos times (os candidatos), as torcidas (os filiados/simpatizantes mais aguerridos), os jogos (os debates e os comícios – quem levou maior torcida?). É claro que todos querem ganhar o troféu, a eleição! A forma como se ganha o troféu (a eleição) já é outra discussão.

Não se pode, no entanto, pregar a extinção de grupos políticos apenas porque há uma identificação ‘animal’ neles.
Dizer que a existência da bicharada é prejudicial para a democracia (para dizer o mínimo) é, trocando em miúdos, pregar a extinção de grupos políticos. E pregar a extinção do outro, ainda que seja seu adversário, é uma atitude anti-democrática.

Os valores democráticos nos ensinam que numa eleição se deseja sim a derrota política(ou várias derrotas políticas),
nunca a destruição ou extinção do outro. A aniquilação do outro/diferente só ocorre em ditaduras (Cuba/China /Coréia do Norte/Brasil de 64), regimes de exceção, facismo, nazismo...

Para terminar, uma frase do iluminista
Voltaire, que diz: “Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la”. Direito de dizer, direito de concordar, direito de discordar, enfim...direito de existir!

7 comentários:

  1. Seu texto está absurdamente perfeito.E o que é melhor:existe uma "alma" nele que exala a existência de um ser que pensa,interroga,protesta,enfim alguém que pulsa com a realidade tenho lido muita coisa morta por aí de "autores" do tipo que dormem nas teclas e deixa a máquina por si só concluir.
    Parabéns,abraços de sua admiradora.

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  2. Maria Fernanda Cintra4 de março de 2009 16:21

    Dé,

    O texto tá muito bom realmente, e concordo com Lilian, a sua "alma" está nele, dá p notar a paixão com que escreve e expõe sua opinião!
    Quanto aos bichos, vc esqueceu q além de jacus e macacos, já tivemos tb os intitulados "traíras"! kkkkkkkkkkkkkk... realmente mto engraçado esse rótulo... acho q eles existem desde q me entendo por gente!
    Qto ao restante do texto, eu n tenho nem mto o q comentar, vc sabe minha opinião sobre a política brasileira [e até mundial] atual, e a sujeira q ela traz consigo... é impressionante como esses politicos fazem de tudo p se manter no poder, n respeitando a ideologia do seu partido, seus eleitores, nem nada disso! O q importa eh se mater lá em cima, p continuar se valendo dos milhões de privilégios q da super gorda conta bancária...
    Tô esperando q um dia alguém venha a fazer a diferença... até lá, essa política só me enoja!


    BeijOs!

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  3. E vcs sabiam que o PT já foi chamado de SOFRÊ ?
    nunca ganhava... agora depois que juntou e perdeu a moral está sendo chamado de PTACO.Na verdade ele não manda e nem dá pitaco.kkkkkkkkkkkkkkk depois que juntou com os macacos.

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  4. dedé
    confesso nunca tinha entrado no seu blog, até então não tinha lido nada seu estou pasmo com o poder e dominio de estrutura de seus textos pasmo porque não sabia a cabeça pensante que tem e prarabens virei seu fá sucesso por que eu sei que iras longe mais muito longe mesmo talvez nem você saiba onde iras parar um abraço tal mãe tal filho
    rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
    rodrigo

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  5. haaaaaaaaaaaaaa
    essa coisa jacu, macaco, ptaco tem que acabar temos que ter nomes pessoas que queram progresso para ipirá e não vê quem e o rei do zoologico

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  6. meu Deus, Helena esta aqui no blog tambem nãooooooooooooo socorrooooooooooooooooooooooo !!!

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  7. Rapaz!!! o cara ta aqui tb???..bom, chato é sempre assim mesmo....

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